Eu vou
do amor
O que você iria fazer com uma mulher agora, casar, ter filhos.
Isso é muito mecânico.
Afeto, do que afeto que teremos nada mais saíra do afeto que
damos, e isso, visto desta forma tornava grande as pernas de uma mulher, suas
mãos com carícias, seus desajeitados curtos ombros contra os meus. Não precisava
de outra mãe, muito menos fazer uma seguir o padrão social, desejava apenas,
afeto.
digam ao próximo
O coração é
Um velho armário
Nele cabe livros
De histórias
De amor, paixão
E ódio
A porta desse armário
Às vezes é arrombada
Mas na maioria
Das vezes
É você
Quem abre
E que deixa
Entrarem
Às vezes
É necessário uma limpeza
Coisas antigas demais
Podem estar ocupando
Lugar de novas emoções
Portanto
Conserre-o limpo
E sempre a espera
Eu vou me rasgar em detalhes
Sentando ali
No meu banco de lanchonete
As garotas rodam como
Ventilador
Até que eu consiga
Acerta as pontas
Com a primeira que me fez
Entrar na fila como
Elevador
Cada sentada
É uma audição
Meu deus,
Como elas choram
Riem
E é claro há algumas sérias demais
A fila anda
Abaixo minha aba
Tenho uma boina
E algumas moedas
Compro refrigerantes
E alguns doces
Elas bebem de tudo
Talvez seria por isso
Que saem desses encontros
Tão suspeitas
Com as minhas insinuações
Cada garota é um livro
Já foram vários lidos
Eu gosto de como
Elas prometem que vão me fazer feliz
E mentem cinicamente na minha cara
Sobre minha aparência
Não importa a garota
É sempre um beijo no final
Eu digo isso a todas
Que riem no final
Fiquei ali sentado por muito tempo
E acolá por mais tempo ainda
Esses encontros às escuras
Não se conhecem a garota
Mera fantasia de um homem
De 30 anos que decidiu se exilar
Antes mesmo de ter
As pontas das unhas pintadas
Por garotas loucas
de cinturas finas
e coxas largas
Mexido Estou viciado nessa coisa paro para fazer café depois o almoço lavo as vasilhas guardo tudo e volto para satisfazer meu vício Lavei...